Thursday, January 24, 2008

Felipe II


tinha um colar de oiro
com pedras rubis.
Cingia a cintura
com cinto de coiro,
com fivela de oiro,
olho de perdiz

Comia num prato
de prata lavrada
girafa trufada,
rissóis de serpente.
O copo era um gomo
que em flor desabrocha,
de cristal de rocha
do mais transparente.

Andava nas salas
forradas de Arrás,
com panos por cima,
pela frente e por trás.
Tapetes flamengos,
combates de galos,
alões e podengos,
falcões e cavalos.

Dormia na cama
de prata maciça
com dossel de lhama
de franja roliça.
Na mesa do canto
vermelho damasco
a tíbia de um santo
guardada num frasco.

Foi dono da terra,
foi senhor do mundo,
nada lhe faltava,
Filipe Segundo.
Tinha oiro e prata,
pedras nunca vistas,
safira, topázios,
rubis, ametistas.

Tinha tudo, tudo
sem peso nem conta,
bragas de veludo,
peliças de lontra.
Um homem tão grande
tem tudo o que quer.
O que ele não tinha
era um fecho éclair.

António Gedeão

Wednesday, September 05, 2007

História de Amor

Tinha desistido de acreditar, e desistir de acreditar é quase tão mau como morrer, mas não vou perder tempo com isso, já há demasiadas metáforas e eufemismos sobre corações tristes. Dizia eu, que tinha quase deixado de acreditar no amor verdadeiro, naquele que aparece nos filmes da disney ou nos romances que acabam quando a vida do casal começa. Tenho namorado e amo-o de verdade, mas estou a falar daqueles amores como o do Romeu e da Julieta, aqueles que só se imaginam num tempo que de tão distante já não existe. Esse mesmo, o TAL, que não acaba e que é prefeito, esse mesmo.
Estava eu nesse estado de desespero quando, numa busca fútil no lugar mais remoto da minha blogosfera, encontrei alguem verdadeiramente apaixonado. Era só um texto, mas pelo menos havia duas pessoas no mundo que acreditavam nele (por muito menos já se criaram religiões).
Aquele texo, simples falava de amor. Não tinha rimas foleiras nem palavras fofas, não era escrito para vender, era escrito pela razão melhor de todas, era escrito para fazer alguém mesmo feliz. Era um texto sorridente que apetecia comer como uma migalha de açucar.
Não conheço quem o escreveu, nem a Mónica para quem foi escrito, nem se ainda dura, mas encontrei uma história de amor e fiquei feliz.

Sarah

o texto em http://www.aspancadasdomenino.blogspot.com/ " Para ti, Amor"

E Esta Hem? II

Aparentemente o isqueiro foi inventado antes do palito e do fósforo. E Esta Hem?

Esta e mais curiosidades em WWW.WIkipedia.org

PS: Podem ir lá espreitar mas nunca citem como fonte (é o que todos fazem shhhh)

Sunday, July 01, 2007

Amores Escondidos ou a Vida com 20 Anos

Não sei o que dizer... Aqui estamos nós, desesperadamente à espera de uma resposta. Ainda não sabemos bem a pergunta, talvez porque elas sejam várias ou talvez porque ainda temos vinte anos. Vinte anos completamente desencatados e sem as desculpas das hormonas adolescentes.
Aqui estamos, preparados para o que der e vier, munidos de nada, cobertos de medos e amores escondidos.

Monday, June 18, 2007

Princípio de um Romance


Aqui na cidade das torres de babel, o cinzento do cimento perde-se de vista. Ao longe, por entre as ruas finas avistam-se ainda as casas vermelhas e amarelas, às quais o tempo húmido e quente foi roubando a tinta.
Por de trás das luzes ofuscantes e modernas das casas de jogo, num outro mundo, adivinham-se ainda os cheiros de toda uma vida que nem o tempo húmido e quente conseguiu apagar. A vida do sol brilhante, do barulho das peças de majong, dos passaros passeando vaidosamente nas suas gaiolas de madeira em dias claros, dos passeios calmos e serenos dos velhos vestidos de cabaias cinzentas e olhares sábios e dos juncos que, às vezes em dias de brumas, aparecem do lado de lá das núvens, a navegar nas águas prateadas do rio das pérolas.
A grandeza do Oriente romântico ainda está por aqui, sente-se em todo o lado se nos dermos ao trabalho de olhar para lá do fumo dos carros, dos bate-estacas e da confusão dos prédios altos. Uma grandeza que de tão estranha, me faz sentir em casa.

Wednesday, March 28, 2007

Raquel (aka as Raquelinha ou Raquel Pequenina)

Há uns anos (tantos anos) nós estariamos sentados todos no jardim da escola no canto reservado às quatro ou cinco pessoas que lá se sentavam, precisamente de 50 em 50 minutos. A vida era difícil, os namorados estavam longe, ou ainda não tinham aparecido, a farda era horrivel, ninguem gostava de nós, o objectivo de vida dos professores era dar-nos más notas e dizer coisas desagradaveis.
Sentavamo-nos alí todos os dias, às vezes (durante os recreios grandes) comíamos um pão e um lemon cha que nos sabia pela vida. O Rui, sempre a chatear dirte-ia qualquer coisa, sempre com muita piada e nós sem maldade, riamo-nos muito...Não era de ti, era porque o Rui por mais maldoso tinha sempre muita piada.
Eras a mais nova de todas e nós gostavamos todos muito de ti (acho que até mesmo o Rui), era uma pena que tu não soubesses disso.
Nessa altura ainda tinhas o cabelo muito encaracolado, o que te afligia imenso...Nesses dias era o que nos afligia, os cabelos, os topes, as calças de ganga que só compravamos no verão quando iamos a Portugal... Ah Portugal... Lembras-te como nós gostavamos de Portugal?
Não sei se era o ar, o cheiro de Lisboa, a luz e o céu azul, mas qualquer coisa nos fazia amar aquele país que não conhecíamos. No fundo era só o facto de não vivermos lá, mas esses dias cheios de esperança e fé na felicidade certa das férias de verão deixam-me saudades.
O futuro interessava tão pouco, e eu sempre tão certa de mim própria recitava para mim a quantidade de coisas que eu, só eu, sabia...datas ,nomes, acontecimentos, livros, escritores, poemas... Bons tempos, cheios de sol, é uma pena que nós fôssemos tão certas da nossa infelicidade imposta.
Desculpa, é verdade, nunca te cheguei a pedir desculpa por me arreliar tanto contigo. Não fazias nada de mal só trocavas o lugar dos verbos e dos pronomes, e eu era mesmo chata contigo.
As coisas muito más só acontecem aos outros, porquê que os teus pais não te deixavam sair de casa até tarde, lembras-te? Ficavas sempre tão chatiada...
As coisas más só acontecem aos outros, somos tão novas, a vida está só a começar e tu etás tão feliz. Tens um namorado, chama-se André, a tua má nota a DGD não teve mal nenhum e conseguiste ir para uma universidade. És inteligente, já não te enganas nos verbos, e o teu cabelo e o teu corpo já são como tu gostas. Ah aqueles anos horriveis das hormonas saltitantes já estão a passar, a vida é bela e tu vais finalmente para Portugal...É tudo tão prefeito que já não cabes em ti de felicidade...

Nem sabes como eu odeio o tipo que ia a conduzir aquele carro. Odeio-o muito, com muita vontade e ele pode ter filhos e mulher e mãe, que a mim não me faz diferença. Ele roubou-te tudo, Raquel tudo...até o teu namorado chamado André. Pior que tudo roubou-te anos, os que passaram e que tu nunca te vais lembrar e os que hão-de vir.
Desculpa não te ir ver ao teu quarto, em lisboa debaixo do sol e do céu azul que tanto desejavamos, desculpa todos os amigos e memórias que perdeste.
Eu só queria que me respondesses baixinho, mesmo com verbos e pronomes trocados, que te lembras, claro que te lembras do cantinho do jardim onde nos sentavamos a falar mal da vida feliz que tinhamos.
As coisas muito más só acontecem aos outros, e tu ainda estás feliz a passear por Lisboa, com o teu namorado chamado André! Não existe a cadeira de rodas, e tu ainda te lembras de mim.


Beijinhos,

Sarah

Tuesday, March 13, 2007

Primavera



Cá pelas Inglaterras a Primavera é sem dúvida fabulosa. Habituada como estou ás Primaveras chatas de Macau onde a única diferença é a temperatura, não posso deixar de ficar pasmada com as diferenças de estação para estação aqui na Europa. O campo aqui é como o dos desenhos animados da nossa infância, bem verde, tão verde que até o ver eu não acreditava que podiam existir tantos verdes diferentes. Não tem nada a ver com a vegetação acastanhada e rasteira de Portugal, as arvores são frondosas e os pastos perdem-se de vista ( até se vêem ovelhas e tudo). Claro que no fundo do meu coração estarão sempre os prédios altos das cidades que só são grandes em altura, mas ver a natureza com as suas cores e a sua vida é uma alternativa interessante aos grandes blocos de cimento.
Quando se vê o campo inglês durante a primavera percebe-se porque é que eles andam tanto a cavalo. Quando o sol brilha (o que não é sempre) e a temperatura está agradavelmente amena, tudo tem uma dimensão tal que é o que apetece fazer, isso ou correr e rebolar na relva. Claro que eu acabo por nunca fazer nenhum dos dois (ou não fosse eu andar sempre se sapatos altos), mas é verdade.
Um passeio com o cheiro agradável a primavera pelo campo inglês e a apercebemo-nos como o Romantismo só podia ter nascido por estas bandas.

Friday, March 02, 2007

Hoje













Hoje, só hoje
nao me vou lembrar dos que dizem
que nao sou capaz,
Nem dos hipócritas da vida,
Nem dos que fecham os olhos,
Quando já não querem ver,
E depois se esquecem.

O Mundo é dos que gritam!
Dos que cantam a desgraça a sorrir
E nunca perdem a voz,
Nem quando morrem,
Nem quando já não querem ver.

(O Mundo e dos que ousam,
Porque dos velhos do restelo
Não reza a história.)

Hoje só hoje
Quero lembrar os que choram
Os que lutam sem espadas,
E devagar,
Penosamente devagar,
Vao morrendo por dentro,
Sem sangue,
Nem lágrimas.

Hoje,
só por hoje,
Quero ser um poeta.

Sarah

Thursday, February 15, 2007

Dia dos Namorados, a Ordem Cósmica e a Hallmark


Humm, dia dos namorados, segundo muitos uma invenção de companhias como a Hallmark e outras que tais.Pessoalmente nunca gostei muito de corações, nunca percebi a razão do nome e a ligação com o amor (ver imagem). Já das caixas de bonbons, as rosas vermelhas, os aneis, as prendinhas etc, não posso dizer que não me torno logo uma vendida! Sejamos sinceros, se for mesmo uma grande conspiração das multinacionais para nos fazer gastar dinheiro, então as multinacionais até têm boas ideias.
Quanto à ordem cósmica das coisas, se se acreditar nela, ela existe para não deixar que sejam sempre os mesmos a receber provas de amor neste dia. Com certeza que a Hallmark sabe que a ordem cósmica existe, e por isso nós os que por uma ou outra razão este ano não recebemos a declaração de amor em forma de bens materiais, temos que pensar lá no fundo o que fizemos de errado este ano. No fim é um bocado a repetição do Pai Natal, e por isso, descancem camaradas, um dia havemos de ser nós!
E com este pensamento positivo, e fé na ordem cósmica e na Hallmark, eu deixo-vos, certa de que nós nunca venderiamos o nosso amor às grandes corporações fosse por que rosa fosse.

"Aos bons vi sempre passar por mundos de grandes tormentos,
Aos maus vi sempre nadar em mares de contentamento"

(Luís de Camões)

Monday, February 12, 2007

Happy day


São normalmente dias cheios de sol, se não no céu pelo menos na alma, os dias felizes. Não se sabe bem por que é que são felizes, às vezes um olhar, uma palavra simpática, um piropo engraçado e não ofensivo dito por um estranho de olhos verdes...qualquer coisa na verdade serve para fazer um dia feliz. Às vezes acontencem quando menos se espera, uma surpresa guardada pelo movimento cósmico do Universo, por Deus, pelo Karma ou só por acaso...São aqueles dias em que se suspira e o ar que entra nos pulmões era daquele bocadinho do planeta que não estava poluido, que se chega à paragem do autocarro quando ele está mesmo a parar, liga-se o ipod enquanto se senta no ùltimo lugar vazio e a música que começa era mesmo a que queiamos ouvir. Os dias felizes podem ser poucos mas precisamos deles, fazem-nos sentir bem e mais que tudo lembram-nos porque é que estamos a estudar filosofia.

Sarah

Aspirina











Tenho uma grande constipação,
E toda a gente sabe como as grandes constipações
Alteram todo o sistema do universo,
Zangam-nos contra a vida,
E fazem espirrar até à metafísica.
Tenho o dia perdido cheio de me assoar.
Dói-me a cabeça indistintamente.
Triste condição para um poeta menor!
Hoje sou verdadeiramente um poeta menor.
O que fui outrora foi um desejo; partiu-se.

Adeus para sempre, rainha das fadas!
As tuas asas eram de sol, e eu cá vou andando.
Não estarei bem se não me deitar na cama.
Nunca estive bem senão deitando-me no universo.

Excusez un peu... Que grande constipação física!
Preciso de verdade e da aspirina.


Álvaro de Campos, Poemas


Precisamos todos, e por mais que queiramos acreditar que a Verdade vale mais que a aspirina, basta uma constipação para reduzir a Verdade a nada e elevar a aspirina aos céus. Além disso basta percebermos quão inacessivel é a Verdade para darmos graças pela Bayers.

Sunday, February 04, 2007

Amor

Aos Amantes

Sim, depois de muito resistir à tentação, eu tenho que escrever qualquer coisa sobre o amor.
Já a minha mãe diz que não há ideias novas. Sobre o amor calculo que nunca tenha havido. As ideias são sempre as mesmas, os amores impossiveis, os dificeis, os incorrespondidos...enfim os vales de lágrimas do dia-a-dia. Às vezes, muito mais raramente há lugar para os amores normais, quase felizes. Sim aquele dos risos parvos, dos olhos brilhantes, da primavera cheia de flores...esse! Não tenho nada contra os outros, aliás o Romeu e Julita, o Pedro e Inês, sempre fizeram o meu coração palpitar. Mas hoje queria falar do que nos faz felizes, eu sei que tem muito menos arte, mas mesmo assim queria tentar.
Na vida nem tudo corre mal, depois de beber demais, nao ser realizado,ter um mau dia tomar prozac para ver o mundo como as pessoas que não precisam de tomar prozac, mas de vez-em-quando o mundo pára.




Pára assim por uns sengundos, e nós morremos, ou antes renascemos. E depois é o "La vie en rose" all over again. Vemos alguém que nos viu, somos alguém no mundo de alguém, e isso faz-nos ver tudo muito melhor. Estamos apaixonados, e ao contrário do que eles dizem, o primeiro não é melhor que os outros todos, quando nos apaixonamos é sempre pela primeira vez. As pessoas felizes já não nos metem confuão, ouve-se o mundo e vêem-se as cantigas de amor. É tudo tão foleiro que isso deixa de ter importância( até as rosas vermelhas parecem originais quando estamos apaixonados). E a vida, qual desenho animado da disney! O nosso mundo passa a ser visto no reflexo dos olhos de alguém, somos felizes para sempre (mesmo que para sempre só dure um segundo)
Amamos sempre a pessoa prefeita, e só por essa pessoa existir o mundo com todas catátrofes já vale a pena. É um rodopiu que não acaba mesmo que saibamos que ele ha-de acabar.
Quando estamos apaixonados tudo vale a pena, até o Romeu e Julieta, até o cliché das rosas vermelhas, as luas-cheias e o por do sol na praia, as palavras "fofas"como bebé e princesa.Na verdade os olhos estão a ver pela primeira vez e como crianças cheias de apetite, querem comer tudo ao mesmo tempo.
Ama-se muito, com muita vontade, ama-se demais, ama-se simplesmente não importa bem porquê, é daquelas verdades que se sabem como dogmas. Nascemos no mesmo dia em que nos apaixonamos, e vamos morrer por a pessoa que amamos. Amar e estarmos apaixonados, é das únicas verdades certas que temos, por isso o Amor até pode ser fodido que não nos importamos...

"Amemos muito como odiamos já
a verdade está nos extremos
Porque é no sentimento que ela está"


Sarah

Monday, January 22, 2007

Amigos e armários


Todos os escritores que se prezam escrevem sobre a amizade. Talvez por ser um tema menos batido que o amor ou talvez porque qualquer pessoa que saiba escrever deve escrever sobre os amigos que tem.
Quando era adolescente, isto é, no auge dos meus quinze anos, chorava baba e ranho porque não tinha amigos. Chorava horas no ombro da minha melhor amiga e ela no meu. Não tinhamos amigos, ninguem nos percebia, a vida era horrivel, as pessoas do lugar onde estavamos não prestavam para nada, etc. Quando tinhamos problemas com os nossos namorados a choradeira voltava, e diziamos chorosas, que se ao menos tivessemos amigos....
Entretanto tudo se passou na nossa vida, os namorados foram-se embora e vieram outros, as pessoas que não prestavam para nada foram saindo e outras chegaram, as notas foram melhorando ou piorando, e nós inevitavelmente fomos crescendo. Crescemos tanto mas tanto que até ficámos gratas de nós nunca nos termos separado.
A coisa boa é que, por pior que seja a idade do armário, acabamos por sair de lá. Não são os pais nem os rapazes giros que nos puxam para fora (e deus sabe como os pais tentam) mas é aquela amiga de combate, tao infeliz como nós, que acaba por nos obrigar a mexer (e o espaço dos armários é bastante restrito). E PUM, sai-se
Alguns anos depois, naqueles finais de dias, quando se chega a casa completamente de rastos, é bom saber que há alguem a barrar a porta do armário, não vá a gente querer entrar.
In the end of the day o que só as pessoas com muita sorte sabem, é que as tão badaladas Almas Gémeas não são sempre amorosas.
Sarah

Wednesday, November 08, 2006

Over The Rainbow


Somewhere over the rainbow
Way up high
There's a land that I heard of
Once in a lullaby

Somewhere over the rainbow
Skies are blue
And the dreams that you dare to dream
Really do come true

Some day I'll wish upon a star
And wake up where the clouds are far behind me
Where troubles melt like lemondrops
Away above the chimney tops
That's where you'll find me

Somewhere over the rainbow
Bluebirds fly
Birds fly over the rainbow
Why then, oh why can't I?
Some day I'll wish upon a star
And wake up where the clouds are far behind me
Where troubles melt like lemondrops
Away above the chimney tops
That's where you'll find me

Somewhere over the rainbow
Bluebirds fly
Birds fly over the rainbow
Why then, oh why can't I?

If happy little bluebirds fly
Beyond the rainbow
Why, oh why can't I?

Palavras para quê?

"O Poeta Faz-se aos 10 anos"



É por estas e por outras que eu nao compreendo os amigos que simpaticamente me dizem que eu até tenho jeito para escrever poesia. Se o poeta se faz aos dez anos, eu estou quase outros dez atrasada. Além disso toda a gente sabe que eles se fazem aos dez anos mas é para aí por volta dos 50 que comçam a ter algum estilo. Não se pode ser mesmo poeta (já feito) e não ter inícios de brancas, simplesmente não resulta!
De qualquer maneira, chatiaram-me tanto que nao me resta mais nada do que post um poema. A todos os meus outros amigos que acham que eu sou muito boa pessoa, mas tanto não, passem este post à frente, aos curiosos que vêem ver o meu blog pela primeira vez, a culpa é toda dos meus primeiros amigos e eu normalmente não sou assim!

“A Minha Pátria é a Língua Portuguesa”


Sou filha de minha mãe,
Nasci em África, cresci na Ásia
E ao contrário das Caravelas descobri Portugal.

Sou filha, sem eira nem beira Sem terra nem história,

(navio sem mar a navegar)

Mas...
Fecho os olhos e sonho,

E, algures na Luz doirada e no céu azul,
As palavras dos poetas crescem na memória.


Sem terra, nem eira, nem beira Nem história para contar
Mas com palavras, com língua, com poetas!

Feliz, descanso na terra que é tão minha,

A pátria, sem escudos nem bandeiras,
Da Língua Portuguesa!




Vida de estudante e falta de ideais de esquerda!



Estava eu aqui a pensar com os meus botões, que o que me falta para ser uma estudante como deve de ser é ter ideais de esquerda. Não me levem a mal, quando eu digo ideais de esquerda poderia dizer de direita, ou mesmo anarquistas, a única diferença é que os de esquerda são muito mais fixes!
Não tenho ideais políticos, e não é por nenhuma razão especialmente profunda como quem fuma um cigarro, se veste de preto, e diz com um ar intelectual que nao tem ideais políticos porque nao acredita na política.Eu acreditar acredito e honestamente nao ponho os políticos no meu grande caixote do lixo intelectual. Mas o que me falta é a paixão da causa, o amor à camisola, a cor da bandeira. É que não se pode ter um partido e dizer, sim pois eu sou do ps mas o Sócrates fala à sopinha de massa! Não, ser de um partido é muito mais do que ser de um clube de futebol, ser de um partido é gostar do treinador ao jogador que está no banco, e eu nunca sei os nomes dos jogadores que estão nos bancos.
Não, ter um partido nao é para mim. Mas como invejo as pessoas de esquerda... A rebeldia, o ar intelectual de sufragista ou revolucionario Maoista. Mas o que eu admiro mais nos esquerdistas inveterados é o facto de ninguém lhes levar a mal o copo de champagne às 11 da manhã e o porche estacionado à porta da universidade. É como quem diz, eu fui à festa do Avante, li o Manifesto, e defendo a classe operária, por isso tenho direito ao carrinho caro e á roupinha de marca. Um tipo que se diga de direita seria logo acusado de ser reáccionario, mas o verdadeiro esquerdista tem direito a tudo até, veja-se, a ter dinheiro.
É por estas e por outras que eu precisava de ser de esquerda, pertencer ao grupo das pessoas que fumam, bebem e gastam dinheiro, como o resto dos mortais, mas pelo menos faze-lo com I-d-e-a-i-s. Sim, que isto de ser de esquerda só tem vantagens: além de se pertencer à esmagadora maioria da classe estudantil ainda se pode orgulhar de nunca se estar na moda, eu sei que parece um paradoxo, mas o melhor de tudo é que é mesmo verdade!