Monday, January 17, 2011

Escrever e outras artes


Todos os adolescentes acham que escrevem, pior ainda, todos os adolescentes acham que os poemas de Pessoa, são escritos directamente para eles.
Eu costumava decorar a poesia de Álvaro de Campos e, nos meus 13 anos, a de Florbela Espanca. Depois quase às escuras, escrevi-as no meu diário, como se elas dissessem aquilo que eu queria dizer e não conseguia.
Passaram-se anos e ainda faço isso. Preferia, naturalmente, que as palavras e as frases, as virgulas e os pontos me saíssem como eu os penso. Não saem. A verdade dura e triste é que não sei escrever. Pelo menos, não de alguma maneira que valha a pena. Haverá certamente muitas explicações desde a minha dislexia, à minha geração triste passando pela mais óbvia, uma falta de talento.
Com o passar do tempo deixamos de ser o centro das atenções. Saímos de casa e já não temos piada nenhuma. Ocorre-nos então um pensamento interessante, o de sermos úteis. Assim se fazem andar sociedades, com pessoas úteis. Talentos há poucos e dão trabalho. Porque não apostar em tarefas mínimas? Atender telefones, fazer girar a máquina burocrática, enfim... pelo menos chega-se a casa todos os meses com o cheque.
Mas o que fazer com aquele sobressalto no coração, aquela insatisfação própria dos artistas? Ler poesia? Fazer desenhos, escrever blogues, à noitinha ver um filme intelectual e de tarde falar de politica no café? Não chega. Para isso mais vale voltar a ter 15 anos e todas as certezas de infelicidade. A verdade que ninguém nos diz é que nunca se sai do armário.

Tuesday, September 21, 2010

Aos 23



"Blackbird singing in the death of night, take this broken wings and learn to fly" e é assim que é a vida das pessoas com 20 e poucos anos. Depois da longa noite de borbulhas e armários chega a década da vida em que tudo é suposto ser feliz e bonito. Aqui na casa dos vinte é suposto sermos bonitos, cheios de vida e de força. É suposto também estarmos no "principio da vida", cheios de certezas em relação ao futuro que há-de vir.
Mas é tudo treta, é tudo invenções de quem, com toda a certeza, já não se lembra do que é ter 20 e poucos anos. Tirando as tais broken wings, nada nos deram que nos preparasse para o que aí vinha. Antes as incertezas adolescentes, as hormonas aos saltos e os armários fechadinhos. Tudo se prefere a ter que andar de saltos altos e fingir que se sabe da vida.
Os vinte são inconsistentes, depressivos e, como um banho de água fria, são um wake-up call para a vida real. Já não há desculpas e já toda a gente tem a nossa idade. Os "adultos" já não existem, somos todos muito amigalhaços e até bebemos copos juntos. Fala-se de igual para igual embora (como qualquer pessoa fora da casa dos vinte sabe) esses putos não saibam nada da vida, daí a palmadinha nas costas e o sorriso compreensivo.
Ter vinte anos é andar por aí a fingir que se é gente, às apalpadelas a tentar descobrir um lugar onde não olhem para nós com aquela cara de quem é suposto ter uma resposta qualquer. A culpa não é das pessoas com vinte e poucos anos, a culpa é dos outros todos que não se decidem se somos crianças com licença para conduzir e beber álcool ou se  já sabemos coisas.
Enfim, os 20 podem ser bonitos e frescos. Podem ser carinhas larocas e corpo ainda no lugar, podem até ser mais agradaveis que os 15. Já se pode pedir um copo de vinho, fumar um cigarro e ter casa prórpia. O que os vinte anos nunca serão é anos felizes.

Wednesday, May 12, 2010

Poema a Macau

A weed from Catholic Europe, it took root
Between the yellow mountains and the sea,
And bore these gay stone houses like a fruit,
And grew on China imperceptibly.

Rococo images of Saint and Saviour
Promise her gamblers fortunes when they die;
Churches beside the brothels testify

That faith can pardon natural behaviour.

This city of indulgence need not fear
The major sins by which the heart is killed,
And governments and men are torn to pieces:

Religious clocks will strike; the childish vices
Will safeguard the low virtues of the child;
And nothing serious can happen here.

W. H. Auden (1907-1973)
Escrito em finais dos anos 30 quando o escritor visitou a região. Tantos anos e ainda tudo igual.

Friday, April 30, 2010

Geração Rasca- Uma defesa


Tenho falado dos anos 60, tenho sempre dito que a minha geração é "hip", desmotivada e ignorante. Não levantamos os braços, não vamos para a rua e sobretudo nem sequer tentamos disfarçar a indiferença com que vemos o mundo. Somos apolíticos, a-religiosos e todos os outros "A" (excepto assexuais). Mas hoje li um artigo que me deixou zangada. Que eu fale mal da minha geração é uma coisa, que um gajo que teve a sorte (genética e astrológica) de ter nascido mais cedo, diga que ela não presta é outra.
As pessoas são as mesmas, não pioram nem melhoram com o passar do tempo. Se crescemos depois da queda do muro, fomos criados em frente à televisão e ainda vivemos o aparecimento da internet a culpa não é só da minha geração é também das anteriores. Os papás nascidos nos anos 60 tiraram-nos a referencias que os pais deles (geração conservadora e ultrapassada) lhes tinham dado. Não fomos à catequese, não ouvimos música clássica, não aprendemos a cozinhar nem a costurar, nem a bordar, nem latim ou grego, não vivemos o pânico da crise dos mísseis, não odiámos o Nixon e nunca ouvimos os discursos do Sartre. Não estivemos na rua durante o 25 de Abril e mais do que isso não crescemos com dificuldades nem (como tantos papás nos lembram) tivemos que construir os nossos brinquedos. A nós deram-nos barbies de plástico com cinturinha de vespa, cabelos louros e maminhas, playstations e gi-joes com vestimenta militar. E depois chamam-nos fúteis quando as meninas não comem para ser como as barbies e os meninos não se zangam com governos neo-liberais.
O que eu tenho para dizer é que, mesmo com  estes condicionalismos todos, mesmo tendo crescido a ouvir "hit me baby one more time" e "Spice up your life", mesmo com sapatos altos e anorexias nervosas e homens que usam eyeliner, foi na minha geração que mais se lutou pela causa "verde", que os gays puderam, finalmente, sair do armário e que músicos como os Muse se fizeram. 
Imaginem se tivéssemos crescido ao som dos beatles e com o livros de verdade.

Friday, March 26, 2010

Das bicas e cervejas

Fazes-me lembrar as minhas noites no bairro alto. Quando o sol caía mais tarde que o costume e no ar passava finalmente aquela brisa de Setembro. Subia as ruas íngremes e encontrava-me com os magotes de estranhos, tudo para ver beber as bicas e cervejas em que não sou capaz de tocar. Mesmo depois de várias noites sentada nas beiras dos passeios a ver fumar cigarros, copos grandes de plástico a serem massacrados e aquele cheiro chato e permanente a festa sou incapaz de ficar longe muito tempo.
Quando há algum tipo de magia, é preciso mais do que bicas e cervejas para nos afastarem.

Friday, March 12, 2010

Sexta-Feira 12

Hoje quase que era sexta-feira 13. Quase, e podia mesmo ter sido. Talvez lá para os confins do tempo alguém se tenha enganado a contar ou simplesmente pode ser que hoje seja mesmo só sexta-feira 12, e isso já é mau.

Sexo e afins

Está tudo ao contrário. A relação das pessoas com os afectos que sentem é cada vez mais complicada. Por um lado está tudo muito feliz porque já não há tabus e há a pílula e o preservativo, por outro, criam-se cada vez mais tabus. A diferença é que o sexo é tão fácil e está tão normalizado que o que é anormal é ter sexo com alguém que se gosta. Se antigamente vivíamos numa sociedade fechada e quadrada, hoje a quadradice é a mesma. Ir para a cama é normal, mas para dizer a alguém "amo-te" é um passo gigante. Tão gigante que o melhor mesmo é continuar a dormir com ela todos os dias para "não lhe dar a ideia errada". E, god forbid, que chegue o dia em que se tenha que definir a relação, ou que, mesmo sem querer se diga qualquer coisa simpática. Não, hoje o tabu não é o sexo, hoje o tabu são as relações sérias ou a fraqueza que é gostar mesmo de alguém. É como se estivéssemos todos na escola primária e não quiséssemos que o menino soubesse que gostamos dele. Já ninguém é capaz de olhar para uma pessoa nos olhos e dizer, sem constrangimentos nem pirosices, "olha eu amo-te/ quero ficar contigo". A única situação em que é aceite amar-se é quando se telefona para o Portugal Coração e se "ama muito os filhinhos lindos que se tem".
As senhoras vão para os bares beber cocktails e esperar que alguém lhes pague bebidas e os homens vão para os bares pagar as tais bebidas num ritual que não teria mal nenhum se as pessoas se deixassem de jogos parvos e fossem directas ao assunto: ou querem sexo ou estão à procura de afecto. Mas hoje, infelizmente, temos todos muita vergonha de precisar de afecto ou, veja-se o horror, de outra pessoa.

Monday, January 18, 2010

Confissões


Ok, eu só vou dizer isto uma vez. Uma única vez, e depois vamos todos esquecer que na estante da aspirina há espaço para estas coisas.




Sunday, January 17, 2010

Hoje roubei todas as rosas dos jardins
e cheguei ao pé de ti de mãos vazias.

Eugénio de Andrade

Monday, January 04, 2010

With a little help from my friends

Tenho poucos amigos. Para aí uns quatro ou cinco. Talvez tenha mais, daqueles que são amigos mesmo a sério mas que demoramos a perceber. Mas se isso me importava quando tinha 15 anos e não tinha um grande grupo atrás que se vestia da mesma maneira e ouvia a mesma coisa, já nao me faz diferença nenhuma. Os amigos que tenho são amigos de verdade. São amigos que compram chocolate quando estou de cama, que fazem festas de anos supresa (princess themed) só porque eu não tive nenhuma, que sabem (com bastante exactidão) como é que eu gosto da coca-cola e não gozam com o número de sapatos de salto alto que tenho. Os meus amigos são amigos até ao fim, mesmo aqueles com quem já não falo à uns tempos sei que são pessoas que valem a pena.
Sei que se tivesse que ir ao hospital, deixariam a festa do irmão e o sono ressacado para me levarem, e isso vale todas as lágrimas adolescentes por falta de amigos.

Obrigada a todos e muitos muitos beijinhos!

Monday, December 07, 2009

Cada Um Como Cada Qual

casamento
s. m.
1. Acto!Ato ou efeito de casar.
2. União de homem e mulher para constituir família legal. = matrimónio
3. Contrato de união ou vínculo entre duas pessoas que institui deveres conjugais.
4. Cerimónia ou ritual que efectiva!efetiva esse contrato ou união. = boda
5. Fig. União, associação, vínculo.
6. Reg. Passa de figo recheada com pedaços de noz ou de outros frutos secos.

Friday, December 04, 2009

Hojes


Hoje gostava de ser como tu. Acordei, respirei fundo e pensei em ti. Gostava de ser assim, que os meus pensamentos fossem só meus, e não tivesse o hábito de morder o canto do lábio quando faço um esforço sobre-humano para não dizer o que penso. Gostava que as horas fossem só minhas e não estivessem entregues a memórias velhas e gastas de tantas vezes que foram visitadas.Gostava de gostar por medida das coisas, e de não precisar sempre de dramas adolescentes, sobretudo gostava de poder pensar quando ninguém pode, como tu pareces fazer. Seria bom olhar para as coisas e vê-las como tu as vês, como elas são, nem bonitas nem feias. Gostava de não estar dependente das coisas a que estou, que pudesse gostar delas como elas chegam. Pensar em ti como tu sabes pensar, sem ideias tolas nem idealizações que parecem desnecessárias. Dar-te um sorriso de vez em quando e deixar-te, como tu me deixas, sem saber o que pensar.
Encostei os pés na madeira fria e sorri, pensarás tu o mesmo? ou não tens tempo para esssas coisas?

Thursday, December 03, 2009

Shaken not Stirred, Martinis e Vermouths


O famoso cocktail com a azeitona no palito, o eterno "Shaken not Stirred" do 007, tem, como tudo o resto, a sua história (ou terei que escrever estória?)
Antes de mais, para os leigos, e preciso explicar que o Martini Dry (e não o dry martini) é um cocktail de vermouth e gin. Pode ser servido de diferentes maneiras, com casca de limão, com um pickle, ou como nós conhecemos, com a azeitona. A bebida engarrafada que se compra no super-mercado, é o dry Martini que é apenas umas das muitas marcas de vermouth.
Ao contrário do que se ouve nos filmes do espião, dizem os experts que o cocktail deve ser stirred, impedindo assim que o gelo se misture com a bebida tornando-a mais fraca ou que se "arranhe" o gin (sim o gin pode ser arranhado). Claro que a discução tem várias prespectivas e diz-se que ele pede Shaken porque ele bebe vodka martinis e gosta das bebidas "ice cold". De qualquer maneira a verdade é que afinal ele anda a beber cocktails de menina e continua o "stud" que todos conhecemos.
É caso para se dizer, mais uma vez, E Esta Hem?

Friday, November 27, 2009

Gritos e desabafos

Hoje acordei num daqueles dias. Francamente furiosa, e com uma vontade grande de levar o mundo à frente. Hoje acordei, fui à cozinha e por fracções de segundos, imaginei a minha alegria a partir a loiça toda. Assim a mandar tudo para o chão e a ouvir os pratos e copos a desfazerem-se em cacos.
E pensar que houve tempos em que sonhei por dias calminhos de chuva a bater na janela e copo de chocolate quente na mão. A realidade por vezes é dura de aceitar, há pessoas que por mais que tentem (e acreditem que eu tento umas tantas de vezes) não gostam do leite quente a descer pela garganta.
Às vezes seria bom partir a loiça, berrar contigo até me doer a garganta, ficar vermelhinha de raiva e bater com a porta na cara.

Wednesday, November 04, 2009

De Beijo Na Boca

Hoje estou triste. Não tenho razão nenhuma para estar, mas é uma daquelas coisas. Estou aqui sozinha de braços abertos e de beijo na boca.

Wednesday, October 28, 2009

O Brilhosinho nos Olhos e a Geração dos Amigos

Há uns anos li uma crónica do Miguel Esteves Cardoso sobre como a minha geração era uma geração de Amigos. Dizia ele que já não havia grandes amores saudosos, chorosos e tristonhos. Já não havia namorados, amantes e maridos havia sim, Amigos. Como sempre, o MEC tinha razão. Agora, uns aninhos mais crescida é que percebo o que ele quis dizer.
Ora eu, como qualquer pessoa decente concordo com o Sérgio Godinho que os amigos são coisas que valem milhões, não me venham é com merdas porque eles não fazem brilhosinhos nos olhos.
Não estou a tentar diminuir a importância da amizade, antes pelo contrário. É que com tantos amigos, agora eles têm graus. Há o amigo de infância, o grande amigo, o amigo que é só amigo, o amigo que é só amigo mas já vive lá em casa, o amigo que é só amigo mas e tem outras amigas, e por fim o amigo que é pai dos filhos.
Deixem-se de coisas e chamem as coisas pelos nomes, a amizade é demasiado percisosa para andar aí a label qualquer um. Eu cá quero ter tudo, amigos, pais que são pais, namorados que são namorados e por aí fora...
É caso para dizer, amigos amigos negócios à parte!

Sunday, August 23, 2009

O pátio


Quando eu era pequena os verões traziam-me os pátios da portela. Não era nada mais do que espaços de cimento e rodeados de muros, mas para mim os pátios da casa da minha avó estavam perto de serem a melhor coisa do mundo.
A rotina era simples e fácil, acordar ao meio-dia para o almoço (escolhido de véspera), banho, e aí pelas 3 horas já "me tocavam" lá do intercomunicador. E tanto que me tocavam, os Pedros, a Inês a Sofia, e tantos mais. Depois disso era brincadeira até às 7:30 quando se subia para jantar, um breve intervalo num dia que durava, primeiro até às 10 e depois até às 11:30.
Ai como eram boas as noites no pátio, antes da idade dos namoros, jogavam-se jogos das escondidas (que valiam sempre na rua inteira), às cartas, ou simplesmente se falava enquanto nos deitávamos para olhar as estrelas.
O que os dias do pátio tinham, era que de entre aqueles muros todos que saltávamos, já sem dificuldade, todos sentiamos perfeitamente livres e cheios de vontade. O sol, a chuva, calor e mesmo as noites frias nada podiam contra aquelas amizades verdadeiras que se julgavam para sempre. Nesses dias a vida era fácil, havia livros, comidinha boa sempre a horas e mais que tudo isso, o tal de pátio que estava sempre lá com uma promessa de brincadeira e diversão

Friday, August 07, 2009

A Vida Banal

Diz-se mal da música portuguesa. Quando se fala nela o "na minha cama com ela" e a "Princesa"vêm rápidamente à cabeça. Mas se nos esquecermos das Mónicas Sintras e do Samuel o Cachopo encontram-se coisas com piada. Todos sabem que não gostando de hip hop eu tenho um fraquinho pelo hip hop/ rap português. As rimas que me fazem rir pelo toque que têm no rídiculo, conseguem sempre ter um fundo de verdade. Para provar o que digo deixo-vos um bocadinho de doninhas:


"Hoje o Velho Restelo veste nike veste adidas,
Pensa que é cool, mas só repete frases batidas!"


e ainda no mesmo CD...

"Fui ao céu falei com Deus, perguntou-me: Tá-se bem?
Vai com calma puto, tudo o que precisas o teu mundo tem
Contempla, compreende e evolui
Liga-te à terra, vais ver como ela flui"


Digam lá se não sai um sorriso de troça e um 'humm' pensativo ao mesmo tempo?

Friday, June 26, 2009

Aeroporto

Mal posso esperar pela minha próxima visita ao Aeroporto. Sempre achei que as pessoas que trabalham nos aeroportos tinham que ser pessoas felizes. A disneylândia ainda não passeou como deve ser por um aeroporto decente, se não não se autoproclamaria (uau palavra engrçada) "The Happiest place on Earth".
Sejam quais forem as razões que nos levam a passar pelo aeroporto, estes são sempre lugares agrdaveis (pelo menos os principais). Há sempre tempo para comer qualquer coisinha, mesmo que se gaste mais uns trocos ninguém se preocupa muito porque se está num lugar que mais ou menos não existe. O passo dos viajantes é geralmente eficiente mas ao mesmo tempo relaxado e há no ar uma promessa de qualquer coisa boa que há-de acontecer. Mesmo para os viajantes com algum traquejo há sempre um nervosinho na barriga, muitas coisas para pensar e um sentimento levemente parecido com a véspera de Natal da infância.
É uma espécie de limbo, a estadia no Aeroporto. Um lugar de passagem onde se pode comprar perfumes caros, caixinhas fofas de maquilhagem de marca, muitos chocolates suiços e todos os productos normalmente taxados porque fazem pior à saúde, como o alcool e o tabaco, estão sempre mais baratos, como se nos piscassem o olho a dizer " pronto vá lá aqui não faz mal".
Mais do que isso, há sempre coisas para ver num Aeroporto, as montras, as pessoas que passam de todas as nacionalidades e mais algumas, o ar sempre bem arranjado (inveja!) das hospedeiras que parecem acabadas de sair do cabeleireiro , os aviões que vão aterrando... emfim toda uma panóplia de coisas para nos entretermos.
É por tudo isto que eu, mesmo com 13h de vôo e às vezes com outras tantas de escalas, gosto de viajar. Não é só pelo destino em si, mas mesmo fazendo isto desde os 6 meses, pelo ritual todo que isso implica. Tudo vale a pena quando depois de todas estas provas, se chega ao destino e, seja ele qual for, há uma cara conhecida à nossa espera.

Tuesday, June 23, 2009

London in the Summer Time...

Assim diz um verso dos Red Hot. A razão pela qual o verão Londrino chama tanta atenção é simples, é um evento raro que dura pouco tempo. A cidade enche-se de vida, e os Londrinos ficam felizes por mostrar que também sabem aproveitar o bom tempo. Há gelados, ar-condicionados nos restaurantes e nas estações de comboios anuncia-se que no tempo quente é melhor trazer sempre uma garrafa de água e chapeu. Note-se que isto é aos 19 graus, mal posso esperar pelos 20 e tal.
Para nós, Londrinos emprestados que viemos de lugares baratuxos, não podemos gozar Londres no seu explendor: os bares chiques com cocktails estranhos, os muitos restaurantes famosos de todas as nacionalidades e os conhecidos Musicais são claramente para outras bolças. Mesmo assim ainda há os passeios pelas muitas montras de Oxford Street, o ocasional concerto de Jazz que o namorado nos oferece e, claro está, uma refeição completa no McDonald's por 3.79£.